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Alguém que ama a vida e odeia as injustiças

14 novembro, 2014



Uma névoa de Outono o ar raro vela, (5-11-1932)

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]

Fernando Pessoa
. .Gerês (Terras de Bouro) Nov.2014

11 novembro, 2014

 
"Os governos são para fazer bem com o pão próprio, e não para acrescentar os bens com o pão alheio."  Vieira , António

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25 setembro, 2014

Outono-Estados de Alma




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Outono-Estados de Alma

Em Setembro, setembro-me. Em cada outono quando a brisa suspira de norte, quando os primeiros pingos redondos lagrimejam a terra, setembro-me. Há no ar, um não sei quê, um encanto seja de tons, seja de aragens que tornam a alma mais fluida de quereres. Então Setembro-me.
Há no outono as lágrimas primaveris, os doirados das espigas, os orvalhos húmidos de inverno, os vermelhos rosados das folhas, a nudez envergonhada do estio, do sol, da luz, do dia.A alma e o outono andam de mãos dadas, crianças em rodas dançadas, risos em cristais fragmentados, cores quentes de pinceladas cheias, águas em ,adágios sustenidos, flores em despedidas, suspiros vividos de amor e dor.
Em Setembro, setembro-me. Nos tons ocres e quentes do passado, nos amarelos do presente, e talvez nos dourados do futuro breve. Setembro-me nas recordações, na vida que vivi e ainda na que deixei deslizar aqui e ali, setembro-me nos desejos corpóreos do ser e do estar, setembro-me nas minhas ilusões quentes, mornas ou quiçá frias, setembro-me no gesto vivo ou exangue, setembro-me nas entranhas da terra, do mar e do ar, setembro-me na minha alma vivida. Setembro-me engolindo e rebolando a iris quente, profana, gulosa do mundo, setembro-me porque ainda vivo Setembro não é melodia interrompida, nem tão pouco prelúdio de estação. Setembro é concha rosada de sons puros, da natureza em reflexo, do Ser em paz.
Setembro é terra em remanso, é ar translúcido, é luz doce, é fruto maduro, é bago doce, é seiva, fruto e colheita.
Sonata de outono quente em tocata de alma.

14 setembro, 2014

22 agosto, 2014


. ."A natureza está constantemente a misturar-se com a arte."

13 agosto, 2014

Maresia

Atlântico
       Mar
Metade da minha alma é feita de maresia

(Sophia de Mello Breyner Andresen)