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Alguém que ama a vida e odeia as injustiças

28 julho, 2009

O MAR




Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner Andresen


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4 comentários:

Paula Raposo disse...

Eu adoro a poesia da Sophia, mas este poema é dos mais lindos!! Boa escolha. Obrigada. Beijinhos.

tiaselma.com disse...

Eu fiquei conhecendo a Sophia por você, Mateso! Gosto demais!

Beijocas da amiga leitora.

gabriela rocha martins disse...

final mente
páro um pouco nestas minhas andanças cá e lá e qual não é o meu espanto quando te "abro" e leio Sophia....


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um beijo

in_side disse...

belo-mar-tão-terra ~




beijo :)