Quem sou eu

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Alguém que ama a vida e odeia as injustiças

29 dezembro, 2010

Angels




"A esperança é a arte de ser feliz sem a felicidade..."

(Berilo Neves)

A todos vós um 2011 cheio de esperança..

22 dezembro, 2010

IL DIVO-The Christmas Collection-"Adeste Fideles"


Adeste, fideles, laeti triumphantes;
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte Regem angelorum.

Refrain

Venite adoremus, venite adoremus,
Venite adoremus, Dominum.

Deum de Deo, lumen de lumine,
Parturit virgo mater,
Deum verum, genitum, non factum.

Refrain

En grege relicto, humiles ad cunas
Vocati pastores approperant:
Et nos ovanti gradu festinemus.

Refrain

Stella duce, Magi Christum adorantes,
Aurum, thus, et myrrham dant munera.
Jesu infanti corda praebeamus.

Refrain

Aeterni Parrentis splendorem aeternum
Velatum sub carne videbimus,
Deum infantem, pannis involutem.

Refrain

Pro nobis egenum et foeno cubantem
Piis foveamus amplexibus;
Sic nos amantem quis non redamaret?

Refrain


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when a child is born-sarah brightman


Com votos de um Feliz Natal
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17 dezembro, 2010

Era uma vez...

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Era uma vez…

Uma estrela amarela que escorregou do azul-escuro e veio estatelar-se no movimento do mundo. Era a estrela do desejo.

Levantou-se, aprontando-se nas pontas, saltou de um lado para outro experimentando o empedrado do passeio e ,saltitando ,seguiu atrás da mulher que passava. Podia se ter colado mas não quis, apenas desejou segui-la, num toc-toc de passos miúdos.

A mulher ágil, morena e de olhar encovado seguiu o seu caminho por entre os outros. Sabia o seu destino. Sabia qual o meandro a seguir. Conhecia o seu desejo. A estrela acompanhou-a numa inércia desconhecida, mas expectante. Era novidade este percurso, tão diferente do azul lá de cima, sempre igual, sempre sereno. Aqui mexia-se, A estrela do desejo sentiu-se viva. Conheceu a sua própria dimensão ao dilatar o olhar, ao beber o seu fôlego ,ao poisar na mulher morena, ao aspirar-lhe o odor de fêmea.

À volta o mundo girava. Aqui e ali. Uns que vinham outros que iam. O vai e vem dos passos. A estrela embalada no movimento elástico do corpo da mulher deixava-se conduzir. O mundo abria-se nas suas pontas. Era uma sedução se sentires. A estrela suspirou enroscando-se.

Veio outro dia e outro e mais outro e a estrela tonta de vício doce foi -se esquecendo do azul lá de cima. Tinha simplesmente fechado a persiana do antes com presente. O seu agora estava ali, junto da mulher morena de voz e corpo macio, onde tudo tinha a perspectiva do momento vivido, onde sentia o pulsar da sua incandescência.

A mulher continuava no seu caminho de passos miúdos sob o toc-toc de uns pés gastos de caminho. A mulher não sentiu a estrela. Sentiu-se a si mesma. Sentiu um arrebatar de sentidos. Pensou que era a dona do presente. Sorriu ao poder que a absorvia, ao prazer simples da manipulação, à vitória do desejo. Foi assim que a mulher morena cresceu na tarde de sol tímido e persianas entreabertas.

A estrela estonteada, redonda de si, levantou-se e olhou pela persiana entreaberta. O sol descia algures para lá dos montes tristes. Naquela tarde de rosas sem cheiro caiam lágrimas do ar. Não eram doces, sabiam a amargo, sabiam a desejo vazio. A estrela recostou-se nas suas pontas, já gastas de tanto caminho volátil almejando pelo seu espaço sem sobressaltos. Como voltar, pensou? Ela simplesmente caíra, como regressar?

A encosta de retorno antevia-se árdua e dilacerante. Tinha que voltar mais que não fora pelo seu espaço, mais que não fora pelo seu passado, mais que não fora por si, pelo seu desejo que precisava de renascer, esgotara-se na dança dos passos junto da janela de persianas entreabertas em tardes de sol desmaiado.

No seu canto de azul senta-se e olha, pensa. O seu fulgor de outrora esvaiu-se. Perdeu-se. A queda, talvez. Olha em redor, rolando levemente uma ponta, que ainda teima em refulgir pese o opaco das outras. É nesse pedaço de luz que se firma, é nele que faz renascer a sua vontade, o seu pundonor. Já não acredita em passos breves mas ainda treme. A estrela do desejo é vã. É fraca. É a vida. Pobre estrela desejo cujo sonho foi efémero. Como irá sorrir se o seu sonho morreu?

Amanhã, talvez, amanhã, ou depois, ou num outro dia ainda, as rosas em Maio tenham perfume.


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12 dezembro, 2010

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É comum a ideia de que os velhos são os conservadores típicos e os jovens são os inovadores. Não é bem assim. Os conservadores mais típicos são os jovens, os que querem viver mas não pensam nem têm tempo para pensar como viver e que, por isso, optam pelo modelo de vida já existente. Tolstói em O Diabo e Outros Contos (1889-90)..

30 novembro, 2010

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Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes pássaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Então desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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20 novembro, 2010




...Porque acho simplesmente lindo, partilho-o convosco.

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio…

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste…

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade…
também

Ferreira Gullar

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17 novembro, 2010

Poças de Sentir

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Poças de sentir

-Hoje choveu.

A sua voz rouca tem a tristeza da tarde escura. Está para ali sentada, de olhos adormecidos e atulhada de imagens paradas.

-Hoje choveu.

Suspira tremendo. Um arrepio

Lá fora os pingos precisos e cinzentos descem na tarde triste. A monotonia do som provoca-lhe uma certa crispação. Humedece os lábios secos e olha para fora. Tudo igual.

Cinzento e triste. Fora e cá dentro.

Chega-se à janela e olha. As poças reluzem no asfalto escuro. Têm o brilho da luz cinzenta. Olha aquela ali mesmo defronte do portão. Move-se no redondo imperfeito da forma ao sabor dos pingos, que a alimentam. É escura. Tão escura como o olhar que a vê. A poça reflecte o olhar ou o sentir? Parvoíce pensa. A poça é um acaso.

A poça de chuva, a poça da alma, a poça do sentir. Tantas poças e todavia está seca. Como é possível, como?

-Hoje choveu, pensa.

Perscruta a neblina. Reforça o olhar. Nada. Nada. Não vê nada. Massa compacta de suspiros enredados em nuvens. Nuvens que se espremem em lágrimas. Tarde triste. Tarde sem alma.

O olhar poisa de novo naquela poça mesmo defronte. Atraia-a mais do que as outras. É tão escura todavia tem um brilho claro. Afasta a cortina branca. Cola o olhar, mais o rosto na vidraça borrifada.

A poça olha-a, ou ela, olha a poça? Encontram-se. Momento único de queda. Caem ambas. Revolvem-se breves num agitar imperceptível, todavia o toque repele-as. Acabou. Foi breve. Foi sentir.

A chuva partiu. A janela acendeu-se. O asfalto secou e a poça também. O sentir arrecadou-se.

- O tempo limpou. Vai estar sol. Amanhã é outro dia.


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11 novembro, 2010




Este bonito selo foi atribuído aqui ao Artmus pela Ana Paula Sena de o "Fio de Ariadne".

Agradeço-lhe a escolha e a menção mas valorizo sobretudo as suas visitas .Um obrigada, pois.
«O Prémio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.»

O Dardos requer que algumas regras sejam respeitadas:

- Exibir a imagem do Selo no blogue;
- Revelar o link do blogue que me atribuiu o Prémio;
- Escolher 10, 15 ou 30 blogues para premiar.

Indicarei, assim, as minhas escolhas para este prémio, limitando-as a alguns espaços que vou acompanhando e que considero possuírem vocação literária. Com votos de que continuem a enriquecer a blogosfera e a presentearem-nos com a sua boa intervenção e companhia.

Escolho:
Aguarelas de Turner

Repensando

Árvore das Palavras

Fragmentos da Noite com Flores

As minhas Romãs

Voando por aí

Deserto do Mundo

Selma Couri Barcellos

Cantochão.


A estes blogues e respectivos bloggers agradeço os bons momentos de leitura e sensibilidade que me têm proporcionado. O que acharem por bem fazer, bem feito estará.





05 novembro, 2010

Vitória

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Vitória.

Está sentada no chão. As pernas escorrem ao longo do soalho. Esticadas, hirtas. O tronco dobra-se, quebrado, ao ritmo da dor. As mãos, ah as mãos, retorcem-se num arranhar de unhas e repuxar de dedos. Os solavancos do peito movimentam-na. A garganta asperge roucos. O ranho mistura-se húmido e pegajoso nas faces gastas. Os cabelos húmidos de suor e desespero alinhavam-se tortos. Os olhos vagueiam entre as paredes e a mente. Não reflectem nada, somente o vazio de que estão vestidos. E de novo o corpo a torcer-se numa convulsão desenhada no estômago que a percorre à medida que as palavras a fustigam. Chora seca convulsa, amarga e dorida.

Chora o tempo perdido, chora a raiva, chora o engano, chora a confiança, chora o sentir, chora os anos. Sente-se patética, demais. Sente-se inútil, sente-se coisa. E as mãos que se baralham num redondo desatinado. As pernas que se dobram para logo se esticarem. E o corpo queJá não dói anestesiado pela amargura que a percorre.

Crava as mãos na borda da cama, as unhas vergam-se ao peso do corpo. A dor alivia-lhe a amargura. Deita as mãos ao rosto e pergunta: Porquê? Porquê? Olha-se desalinhada, suja, grotesca ao espelho e sorri, sorri ao que vê e, mais ainda ao que a agonia. A imagem provoca-lhe o vómito. É ali mesmo que escancara a boca e vomita, mesmo em cima dos pés. Olha para baixo. As unhas vermelhas dos pés riem por entre a porcaria. Uma linha de vida.

Arrasta-se

Está alucinada. O mundo quebrou. Ela partiu-se.

Tão rápido.

Apenas seis palavras. Apenas uma confirmação.

Treme a cada movimento do corpo. Que lhe reflecte o sentir. Um sentir amargo, um sentir repudiado, um sentir devolvido qual carta sem número de porta. O engano ali mesmo ao lado na porta com número, a aventura vestida de engano, a voracidade do desejo, as horas trocadas, a espera calçada de mentira e o tempo a despir-se de sentir.

Foi assim que Vitória se recriou. O antes e o depois. Foi quando ela se apercebeu que a traição não era mais do que a cobardia do sentir. ,o medo da partilha, o temor à verdade, o irracional do homem. Vitória compôs-se. Rabiscou a máscara. Aperfeiçoou-a. Colou-se a ela. Viveu com ela. Tornou-a sua. Não mais uivou de dor nem desespero. Na sua mente recusou o hoje, analisou o ontem e partiu para o amanhã.

O depois estará algures, com ele ou sem ele, não importa assim tanto. O que realmente importa é ela saber que em cada dia ela é a sua Vitória.

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09 outubro, 2010

A Chave

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A Chave

Trac-trac-trac- Três voltas. Três gestos. Três segundos. Três tempos. Um suspiro.

A mãe desce lenta, o corpo afasta-se da porta. Um passo atrás. Um engolir de saliva. Um soluço. Um gemido. Um gesto. Uma decisão.

Recua ao mesmo tempo que soluça. As costas da mão servem de lenço ao ranho que cai. Os olhos colam-se. Esfrega-os. Tinta preta. O indicador direito percorre a face. Tinge-se de negro. Negro e ranho. E lágrimas.

A chave olha-a. Um passo em frente, outro e mais outro. A mão detém-se num gesto contido. Não, não vai abrir. Grita, soluçando. Depois escancara a boca e grita mais e mais. A chave treme. Ela treme. O silêncio treme.

Sobe as escadas, entra no quarto, olha a cama e pega nas almofadas atirando-as pelo ar. Com força, com raiva. Depois joga-se no cadeirão. Dobra-se sobre si e soluça mais e mais. Até ficar sem ar. Deixa-se estar naquele desventrar de si. O dia partiu. Está escuro. Escuro lá fora e negro cá dentro, sem luz.

Levanta-se. Ajeita o cabelo. Riscos negros e secos desenham-lhe a amargura. Lava o rosto abundantemente. A água gelada mitiga-lhe a dor, porque a faz tremer. Olha-se ao espelho. Sente-se profundamente infeliz. Injustiçada. Maltratada. Odeia. Odeia-o e odeia-se. Um ódio que sobe das entranhas sem forma. Um pedaço de sentir feito de algodão amargo. Esvai-se ao toque. Logo que respira a saliva da sua tristeza.

Pensa. Pensa como é infeliz. Sente. Sente-se injustiçada. Sente-se mal amada. Ela. Ela…que se preteriu…que se preteriu…que lhe deu tudo… tudo…e agora…isto…

Soluça. Soluça porque só assim se sabe ouvir.

Do outro lado da porta, onde a chave não rodou, ele abana a cabeça. Mais uma cena. Mais uma. Mais uma de entre tantas. Difícil viver com ela. Difícil. Ele não é ela e, ela não é ele. São dois. Não são um. Tanto drama, tanta fúria.

Gosta dela. Ama-a porque é hábito. A vida é um hábito que se deixa escorrer pelo corpo. Ele tem hábitos que ela não gosta. Ele tem desejos que ela não sente, ele tem espaços que ela não preenche. Ela vive mesmo ao lado dos interstícios dele. Não se encontram mas vivem juntos, às vezes. Coisas da vida. Quando se cruzam, ocasinalmente, são felizes. Mas só às vezes. Mas não é amor, é hábito.

Olha a porta do lado de fora. Encolhe o pescoço no movimento redondo dos ombros e desce os degraus da escada. Está sereno, sem estar apaziguado.

Abre a porta do carro. A perna esquerda ainda entra. Pára. Olha em redor. Passa as mãos pelo cabelo num gesto maquinal. . Decide-se. Tira a perna e fecha a porta. Joga as chaves dentro do bolso do casaco. Levanta-lhe a gola e decide-se. Vai caminhar.

É noite. Noite húmida. Daquelas sem luar. Escura. Cá fora está escuro. Sente-se bem. Gosta do negro. Espicaça-lhe os sentidos. O instinto de sobrevivência, o alerta animal. É o Homem.

Caminha, não estiola tempo em análises e muito menos em mortificações. Tudo vai passar, como das outras vezes. Ele sabe. Tem que ser paciente. É assim.

Não vai pedir desculpa. Aconteceu.

Caminha. A noite acompanha-o. Murmura:

-Ainda é cedo!

A chave rodou na fechadura. Trac-trac-trac-. Em sentido contrário. Num gesto breve e leve. Uns passos rápidos e um afastar quase em bicos de pés. Um breve restolhar escadas acima. Um a mirada no relógio. São duas da manhã. O lençol abre-se ávido de calor numa cama de dois.

Ela deita-se e enrola-se nos cobertores. Murmura:

-Já é de madrugada!


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