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Alguém que ama a vida e odeia as injustiças

25 abril, 2009




CANTAR A LIBERDADE

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre


Trova do vento que passa - Adriano Correia de Oliveira


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9 comentários:

as velas ardem ate ao fim disse...

Feliz dia da Liberdade!

gabriela rocha martins disse...

SEMPRE



.
um beijo ,miúda!

addiragram disse...

Impossível não cantar a Festa!

Maria P. disse...

Foi ontem, que seja sempre!

Beijinho*

Miosotis disse...

... um dos poemas mais belos de Manuel Alegre!
Um bardo inconfundível, Adriano!

Um beijo fraterno,
Sensibilizada pelo olhar! Foi tão agradável voltar a ler-te!

Teresa Durães disse...

que nunca seja esquecido

tiaselma.com disse...

Sempre haverá alguém que semeie "canções no vento que passa". Como os poetas e nós, Mateso, que resistiremos. Não passará nossa palavra.

Beijocas libertas.

Nilson Barcelli disse...

Escolheste um belo poema para o dia.
Gostei da tua escolha.
Boa semana, beijos.

gabriela rocha martins disse...

então ,minha querida ,andamos
com trabalho a mais
ou paciência a menos?


.
um beijo